1758036385721

O que houve com os nossos jovens? Aumenta o número dos “Nem-Nem” no Brasil

Na última terça-feira, 9 de setembro de 2025, a OCDE divulgou o relatório Education at a Glance 2025. O Brasil apareceu em 4º lugar entre os países com maior percentual de jovens entre 18 e 24 anos que não estudam nem trabalham, os chamados “Nem-Nem”. São 24% dessa população nessa condição, praticamente o dobro da média dos países-membros da organização (14%).

Diante desse dado, uma pergunta inevitável surge: se não estudam, nem trabalham… o que fazem?

Sabemos que uma parcela pode estar envolvida com atividades ilícitas, infelizmente. Mas e os outros? A julgar por esse índice, há milhares de jovens que, presumivelmente, contam com moradia, alimentação, conexão à internet e outras comodidades, ainda que bancadas pelos pais.

A pergunta então se desloca: o que está acontecendo com os pais dessa geração?

Não tenho uma resposta exata. Apenas memórias e observações.

Lembro de quando minha esposa levou nossa filha, então com 15 anos, a uma loja de brinquedos em um shopping. A ideia era “vender” o talento dela para fazer pacotes de Natal. O dono achou engraçado e a contratou. Ela nunca mais deixou de trabalhar.

Cada um dos nossos filhos teve uma história semelhante. Trabalho cedo, com responsabilidade e orgulho.

Hoje, ao andar por shoppings, fico surpreso com o que escuto de adolescentes para os pais: “Não quero!” em tom imperativo, ou “Não grita comigo!”, quando a mãe apenas o chama. “Não faço isso, e pronto!”, seguido de “sem discussão!”.

Às vezes viro o rosto. Não por omissão, mas para observar até onde a cena vai. E para evitar que meu 1,92m de altura e o olhar de desaprovação assustem demais.

Não quero generalizar. Mas as evidências públicas se acumulam.

E a pergunta persiste: como é possível um jovem, entre 18 e 24 anos, morar na casa dos pais, sem estudar nem trabalhar, por anos? E os pais permitirem?

Uma coisa é certa: enquanto continuarmos tratando os “Nem-Nem” com a leveza que essa expressão oral sugere, a estatística só tende a crescer. E, com ela, as consequências econômicas e sociais de uma geração que parece ter perdido o fio da construção.

Talvez a pergunta não seja mais “o que houve com os jovens?”, mas sim “o que estamos fazendo, ou deixando de fazer, como sociedade?”.

Post Anterior
2 / 2

Últimos posts do blog