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O futuro chegou. E não temos repertório para ele

Em 2018, no livro "21 Lições para o Século 21", Yuval Harari afirmou que até 2050 não apenas muitas funções, mas carreiras inteiras estariam obsoletas. Na época, isso soava como um exercício de futurologia. Hoje, soa como uma descrição do presente.

Um artigo recente publicado no LinkedIn pela Evolving AI, intitulado “A IA está avançando mais rápido do que os sistemas educacionais conseguem acompanhar” (tradução livre de “AI is moving faster than education systems can keep up with”), relata como a inteligência artificial já está substituindo funções em velocidade maior do que a capacidade das instituições se adaptarem. Entre os impactados estão designers, redatores, operadores de sistemas, assistentes jurídicos e outros profissionais relevantes até bem pouco tempo atrás. A mudança já começou.

Não há paralelos históricos que sirvam de modelo. Nenhuma fórmula consagrada nos prepara para este momento. A transformação é tão profunda que exige algo além do repertório acumulado ao longo de uma vida. Não consigo imaginar soluções construídas apenas com base na experiência. O que está diante de nós é extraordinariamente novo.

Ainda assim, aponto cinco competências que se mostram cada vez mais importantes para atravessar esse cenário. Não como receita pronta, mas como sinal de adaptação possível.

Flexibilidade incomum

Mais do que estar aberto à mudança, será necessário reconstruir ideias e papéis à medida que os referenciais se movem. Conceitos rígidos tendem a perder valor rapidamente. A disposição para repensar convicções pode ser a base da permanência.

Capacidade de extrapolar o presente

A inteligência artificial avança de forma exponencial, e não em ciclos lineares. Pequenos sinais de hoje podem se tornar o novo normal do amanhã. A habilidade de projetar cenários a partir de tendências ainda tímidas será um diferencial de liderança.

Atualização em tempo real

Muito do que é ensinado hoje já estará ultrapassado em pouco tempo. O aprendizado contínuo deixa de ser uma virtude para se tornar uma necessidade. Estar atualizado exigirá curiosidade diária, não apenas formação formal.

Empatia estratégica

As transformações mexem com estruturas, mas afetam profundamente as pessoas. Liderar neste tempo exigirá sensibilidade para perceber impactos não ditos, inseguranças discretas e sentimentos que não aparecem nos relatórios. A escuta se tornará uma ferramenta essencial.

Coragem para desaprender

Muitas certezas do passado já não servem para o futuro. Desaprender é abrir espaço para o novo. Requer humildade para abandonar métodos, zonas de conforto e fórmulas que já cumpriram seu papel.

O futuro chegou. E não temos repertório para ele.

Mas talvez essa ausência nos permita criar algo mais ajustado, mais atento, mais humano. Afinal, são os humanos os vetores da tecnologia, mas o importante é entender a nós mesmos, nesse turbilhão de mudanças.

Artigo original publicado em RHPraVocê – 8/8/2025

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