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Minha tardia descoberta: “Escrever é pensar”

Há uma controvérsia antiga sobre o equilíbrio entre ser prolixo ou objetivo. Curiosamente, ambos os estilos são necessários, e saber quando usá-los é uma arte.

Como executivo, sempre valorizei respostas objetivas, e sumarizar é geralmente uma tarefa difícil. Quando um amigo me apresentava um currículo de três páginas para avaliar, não raro eu dizia: “Transforme isso em uma só.” A dificuldade era enorme.

Compactar ideias exige esforço, porque eliminar o supérfluo significa pensar com clareza. Lembro-me de uma afirmação atribuída a Winston Churchill:

“Se eu tiver que falar duas horas, posso começar já. Se for uma hora, me dê meia hora para me preparar. Mas se for um discurso de 15 minutos, preciso de duas semanas.”

Ser breve é trabalhoso.

Por outro lado, aprendi a valorizar os prolixos inteligentes. Como gestor, costumava cobrar respostas curtas. Mas quando perguntava a um advogado, e tenho muitos amigos advogados, recebia longas explicações. No início, vinha a impaciência.

Depois, percebia o quanto os detalhes construíam entendimento. Quando ele terminava, eu via que a clareza vinha justamente daquilo que eu chamava de excesso.

Então, afinal, o que devemos ser: objetivos ou detalhistas?

Recentemente, ao trabalhar em um prompt para a IA, ousei perguntar se um texto que eu havia escrito não estava longo demais. A resposta apareceu na tela, simples e direta:

“Escrever é pensar.”

Fiquei em silêncio. Nunca havia refletido sobre isso. Durante toda a minha carreira, “pensei” muito em PowerPoint, mas não necessariamente escrevendo. E resolvi testar.

Quando tive um novo projeto, comecei a escrever ideias soltas, sem estrutura, e algo curioso aconteceu: enquanto eu escrevia, novas ideias surgiam. A mente parecia trabalhar junto com os dedos. Quanto mais escrevia, mais conexões apareciam.

Percebi o poder de organizar o pensamento pela escrita. E fiquei com uma sensação agridoce: “Oxalá eu tivesse aprendido isso antes.”

Por isso, deixo aqui uma sugestão prática: existem momentos para ser objetivo, e outros para ser prolixo. Agora, quando precisar estruturar uma ideia ou um novo projeto, escreva para pensar. À vontade!

Não se preocupe com a forma. Deixe as ideias fluírem. A clareza virá com o tempo, e, com ela, o raciocínio se tornará mais sólido e com muito mais detalhes. E o mais importante: está tudo registrado.

Se esse exercício fizer sentido para você, saiba que deu um grande passo para compreender e dialogar melhor com a inteligência artificial. Afinal, a IA só pensa bem quando você também pensa bem.

E o caminho para isso é simples, mas profundo:

“Escrever é pensar.”

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